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A situação atual vem realçar a importância de definir novos objetivos e métricas na sociedade, que deverão ser alinhados, ou prevalecer, sobre o habitual objetivo maior do crescimento económico, e que passam pela qualidade de vida da população, pelas necessidades básicas da sociedade e pela sustentabilidade ambiental. Em termos de habitação, a acessibilidade e eficiência estão relacionadas com a sustentabilidade ambiental.

Na Europa, os edifícios são dos maiores responsáveis pelas emissões de carbono, o que origina um importante impacto negativo no ambiente. Portanto, os esforços para cumprir as metas ambientais definidas e acordadas na UE exigem iniciativas ambiciosas para reduzir a pegada de carbono da construção e melhorar a eficiência energética do parque imobiliário existente. No futuro, as cidades têm que evoluir para ecossistemas dinâmicos e flexíveis, assentes no paradigma “viva, trabalhe e divirta-se”, para atraírem e reterem população produtiva e qualificada.

A tecnologia e a evolução digital serão decisivas para o desenvolvimento das cidades, dos edifícios residenciais e comerciais. No sector imobiliário, a tecnologia e os novos comportamentos das populações vão impor novos padrões de qualidade de construção, novos layouts dos edifícios residenciais, comerciais e de escritórios, bem como exigir inovação e eficiência energética que garantam boas condições para os utilizadores. Mesmo com a eventual adoção mais massiva do teletrabalho, as cidades continuarão a prevalecer e a concentração urbana parece, nos dias de hoje, inevitável. O efeito de aglomeração que se verifica nas regiões com a população mais ativa tende a torná-las mais produtivas, gera mais oportunidades e maior diversidade, potencia a capacidade para uma progressão sustentável da sociedade, mitigando as desigualdades. Estes movimentos vêm criar oportunidades no mercado residencial, das quais destaco três: o mercado de arrendamento, a industrialização da construção residencial e os mercados secundários, com menor densidade populacional. O mercado de arrendamento é, seguramente, o segmento com maior margem de crescimento e profissionalização. A procura é claramente superior à oferta, e a oferta existente não se ajusta à procura, seja por tipologia, localização ou preço.

Projetos built to rent, pensados de raiz para a procura atual neste mercado – seja a nível de produto, como serviços adicionais em conceito pay per use -, são ideais para um perfil de cliente que necessita e valoriza soluções flexíveis. Permitem aos jovens acederem à sua primeira habitação e possibilitam que as famílias tenham acesso a soluções de habitação temporárias, mesmo quando o objetivo dos jovens e famílias é a aquisição no longo prazo. A necessidade de fábricas e fornecedores especializados para a industrialização da construção residencial é uma clara oportunidade para uma evolução que é inevitável em Portugal.

São vários os países que já estão a realizar esta transição, para que o processo offsite da obra seja cada vez maior e mais comum, com benefícios diretos no impacto ambiental, diminuição dos tempos de obra e flexibilização das soluções habitacionais e tipologias. Outra tendência, que já vínhamos a registar desde 2019, passa pelo aumento da procura em mercados periféricos das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, naturalmente com uma motivação forte: ganhar poder de compra face ao aumento dos preços no centro da cidade. Contudo, já nessa altura para muitos esta não era a alternativa possível, mas sim uma opção principal para jovens famílias que procuram melhor qualidade de vida.

Necessitamos de políticas de habitação e de regeneração urbana com uma lógica de longo prazo, forward thinking, tendo em consideração as megatendências climáticas, tecnológicas, demográficas, de hábitos e preferências dos portugueses. Todos estes fatores são determinantes para assegurar um desenvolvimento social e economicamente mais sustentável.

Ricardo Sousa

In revista Exame | 2021-09-01 | Imprensa

Linkedin Ricardo Sousa | Instagram @c21ricardo | Franquicia

Fundador de la #franquicia #inmobiliaria @C21Spain y @C21Portugal Entrepreneur who was born in Santarém in 1979 and who has always loved everything that has to do with engines, cars and competition. He has been a federated karting and motorsport member since the age of 15. It was in motor sports that he had his first experience in management and it was here that he began to feel a fascination for entrepreneurship: when only 17 he faced the challenge of managing his racing team and undertook responsibility for all the steps necessary to obtain sponsorship, mange the budget, set budget priorities and hire support resources. He was never a champion in this sport, but several he won domestic and foreign prizes, and participated in international competitions a number of times. However, he always had the ambition to have his own company. This was following a career in the automobile, new technologies and real estate sectors. As a Realtor he identified the opportunity to represent the prestigious brand Century 21 in Portugal. That was at the end of 2004 and so 21 Century Portugal was born. Recognition of the work carried out at a time when the economy was undergoing a corrective phase was the invitation for the Portuguese team to head the entry into the Spanish market and take on the same role in Spain in 2010. The year of 2010 was also when he was elected Vice-President of the Portuguese Franchising Association. His desire to start his own project and be able to contribute to the professionalization of the real estate sector in the Iberian market provide the personal motivation to lead this project.

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