Os preços de venda das casas em Portugal Continental registaram uma subida acumulada de 5,7% em Maio face ao final de 2025, de acordo com o Índice de Preços Residenciais apurado pela Confidencial Imobiliário. Embora o mercado continue a apresentar um crescimento expressivo, o ritmo de valorização revela-se mais moderado do que o observado no período homólogo de 2025, quando a subida acumulada atingia 8,4%. A evolução do corrente ano ocorre, contudo, após um ano de forte expansão dos preços, que encerraram 2025 com uma valorização histórica de 23,4%, alcançando um preço médio recorde de 3.031€/m² no quarto trimestre.
Ao longo de 2026, os preços continuaram a subir, mas a um ritmo inferior ao registado na segunda metade de 2025, período em que a taxa média de variação mensal rondou os 2,0%. Nos primeiros cinco meses deste ano, a valorização média mensal situou-se em 1,1%, contribuindo para um abrandamento gradual da taxa de variação homóloga, que se fixou em 20,4% em Maio. Em termos mensais, os preços aumentaram 1,7% em maio, atingindo um valor médio de 3.123€/m² nos três meses compreendidos entre Março e maio.
Apesar da robustez dos preços, o mercado evidencia sinais de menor dinamismo ao nível da actividade transaccional. No primeiro trimestre de 2026 realizaram-se cerca de 37.800 transacções, menos 9,4% do que a média trimestral de aproximadamente 41.000 vendas registada em 2025. Os dados mais recentes, referentes ao período entre Março e Maio de 2026, apontam para uma estabilização do mercado, com cerca de 38.500 transacções concretizadas, conforme os dados do SIR – Sistema de Informação Residencial.
Para Ricardo Guimarães, Director da Confidencial Imobiliário, “a descida gradual da taxa de valorização homóloga, de 23,4% para 20,4% nos primeiros cinco meses do ano, confirma uma moderação do mercado, mas não indica qualquer correcção dos preços. Houve até uma ligeira quebra de 0,7% em Abril, mas revelou-se pontual, como demonstra a recuperação observada em Maio, que registou um aumento mensal de 1,7%” – argumenta.
“A manutenção de níveis elevados de valorização, mesmo num contexto de menor actividade transaccional e de condições macroeconómicas menos favoráveis, marcadas pelo regresso da inflação e pela persistência de taxas de juro mais elevadas, reflecte o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura” – sublinha aquele especialista. Que adianta: “Enquanto a produção de nova habitação continuar insuficiente para responder às necessidades do mercado, hoje ainda mais pressionada pelo crescimento demográfico e pelos fluxos migratórios, sobretudo nas principais áreas urbanas, será difícil assistir a uma inversão desta tendência.”