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O antigo Matadouro do Porto, em Campanhã, está a ser transformado num novo centro empresarial, cultural e social.

Mantendo a memória da arquitetura da edificação de 1910, o projecto do do arquitecto japonês Kengo Kuma, em colaboração com o atelier de arquitectura portuguesa OODA, vai começar a ganhar vida.

A primeira fase das obras no Matadouro de Campanhã está concluída. Os trabalhos, realizados pela empresa Mota Engil, vencedora do concurso para a reabilitação do antigo Matadouro, passaram por limpezas da zona, demolições, terraplanagens e sondagens às estruturas existentes, para além de experiências de materiais a usar na reconstrução do edifício. O arquitecto Kengo Kuma visitou recentemente a cidade do Porto para apreciar in loco o evoluir do projecto.

A reconversão e exploração do Antigo Matadouro Industrial do Porto visa transformar o edifício, desactivado há cerca de 20 anos, num equipamento âncora na reabilitação da zona oriental da cidade, baseado nos eixos da coesão social, da economia e da cultura.

Nascido em Yokohama, tendo estudado na escola de arquitectura de Tóquio, Kengo Kuma é autor de icónicos projectos na arquitectura mundial, como o Suntory Museum of Art, na capital japonesa, a Bamboo Wall House, na China, a sede do Grupo Louis Vuitton, no Japão, o Besançon Art Center, em França, e, em especial, o novo Estádio Nacional de Tóquio, que recebeu a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2021.

A reabilitação representa um investimento na ordem dos 40 milhões de euros, integralmente assegurado pela Mota Engil, empresa privada nortenha que venceu o concurso público lançado pela Câmara do Porto. “No final dos 30 anos da concessão, o equipamento regressa à esfera municipal” – adianta o município em comunicado.

“O programa de intervenção prevê a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitectónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes, espaços comerciais e de lazer de apoio local, espaços destinados à acção social e à ligação com a comunidade local e de cariz cultural e artístico, destinados à exposição, à produção e ao depósito de acervo de arte” – adianta o comunicado.

Um marco icónico na Invicta

“Vamos arrancar com a fase de reabilitação de todos os edifícios existentes e a construção de novos. Esta fase vai demorar cerca de dois anos, prevendo-se que, em Outubro de 2024, o novo Matadouro já esteja ao serviço de todos”, sublinha o CEO da Emerge-Mota Engil.

O projecto prevê uma grande cobertura que, num só gesto, une o antigo, que será preservado, e o novo edifício de remate, assim como a passagem por cima da VCI, numa nova centralidade na cidade. Terá 11 edifícios independentes, com quatro frentes de luz. A relação entre os espaços interiores e exteriores dos escritórios será feita através de zonas ajardinadas. Haverá possibilidade de personalizar o interior de cada edifício e de ampliar a empresa de acordo com as suas necessidades.

Neste momento, a Mota-Engil avançou para a fase de comercialização dos espaços e as manifestações de interesse já começaram a surgir.

Dos 20 mil metros quadrados disponíveis para construção, 7.885 metros quadrados ficarão sob gestão municipal, sendo o restante explorado pela entidade vencedora do concurso. Será um edifício sustentável, com a instalação de painéis solares na cobertura.

O complexo terá um comportamento sustentável e certificação LEED. A destacar os cerca de 2500m2 de painéis solares na cobertura para geração de energia, assim como a utilização de sistemas térmicos, energéticos e hídricos eficientes.

joaobandarra@mixandblend.net'

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