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Em 2020, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) aumentou 8,4%, menos 1,2 pontos percentuais (p.p.) que em 2019. O aumento médio anual dos preços das habitações existentes (8,7%) superou o das habitações novas (7,4%).

De acordo com o IPHab do Instituto Nacional de Estatística – INE, o ano passado, apesar do contexto desfavorável decorrente das restrições impostas no âmbito da pandemia da Covid-19, continuou a observar-se uma dinâmica de crescimento dos preços das habitações transaccionadas. A taxa de variação média anual do IPHab fixou-se em 8,4%, traduzindo uma redução face ao ritmo de crescimento dos preços observado em 2019 (9,6%). A trajectória de crescimento dos preços manifestou-se tanto nas habitações existentes (8,7%) como nas habitações novas (7,4%). À semelhança dos últimos anos, a diferença no ritmo de crescimento dos preços de habitações existentes e novas reduziu-se, tendo passado de 2,5 p.p. em 2019 para 1,3 p.p. em 2020.

No 4º trimestre de 2020, o IPHab registou uma taxa de variação homóloga de 8,6%, após dois trimestres consecutivos de redução no ritmo de crescimento do índice (7,8% no 2º trimestre de 2020 e 7,1% no 3º trimestre de 2020). Nos últimos três meses de 2020, os preços das habitações novas aumentaram 9,0% em termos homólogos, acima do observado nas habitações existentes (8,5%). Entre o 3º e o 4º trimestre de 2020, o IPHab cresceu 2,1% (0,5% no 3º trimestre de 2020 e 0,7% no 4º trimestre de 2019). Por categoria, o aumento dos preços foi mais intenso nas habitações existentes (2,3%) por comparação com as habitações novas (1,5%).

Menos transacções

Em 2020 foram transaccionadas 171 800 habitações, menos 5,3% que no ano anterior. Pela primeira vez desde 2012, o número de transacções de alojamentos diminuiu.

Em Janeiro e Fevereiro, ainda no período pré-pandemia, registaram-se aumentos homólogos de 9,4% e 3,5%, respectivamente, no número de transacções. Seguiu-se um período, de Março a Outubro, onde se observaram taxas de variação homólogas negativas, com maiores amplitudes no 2º trimestre (-21,6%) em consequência das medidas de restrição à circulação e à actividade económica então adoptadas. Posteriormente, em Novembro e Dezembro, registaram-se aumentos homólogos de 4,0% e 12,6%, respectivamente, no número de vendas.

Entre as transações realizadas em 2020, 15,5% respeitaram a habitações novas, mais 0,8 p.p. que no ano anterior. Os alojamentos transaccionados em 2020 totalizaram 26,2 mil milhões de euros, mais 2,4% que em 2019. Numa perspetiva infra-anual, após um primeiro trimestre, condicionado parcialmente pelo efeito da pandemia Covid-19, onde se observou um aumento homólogo de 10,4% no valor das habitações transaccionadas, seguiram-se os meses de Abril, Maio e Junho, caracterizados pela forte contração do valor das transacções (variação de -15,2% no 2º trimestre).

Na segunda metade do ano, registaram-se taxas de variação positivas de 4,4% e 8,7%, respectivamente, no 3º e 4º trimestres. No valor das habitações transaccionadas, 20,8 mil milhões de euros corresponderam a vendas de habitações existentes (variação de 0,7% relativamente a 2019) e 5,4 mil milhões de euros a habitações novas (variação de 9,3% relativamente a 2019). Entre 2016 e 2020, o valor das habitações transaccionadas registou um crescimento médio anual de 15,3%, sensivelmente o dobro do observado no número de transacções, 7,8%.

No 4º trimestre de 2020 foram transaccionadas 49 734 habitações, um aumento de 1,0% face a idêntico período de 2019, tendo este sido o único trimestre a apresentar uma variação homóloga com sinal positivo em 2020. No mesmo trimestre observou-se um aumento no número de transacções de habitações existentes (1,2%) e uma redução residual (-0,1%) nas transacções de habitações novas. Em valor, nos últimos três meses de 2020 as habitações transacionadas totalizaram 7,5 mil milhões de euros, mais 8,7% do que no mesmo trimestre de 2019. Neste período, o crescimento do valor das transacções das habitações novas (9,3%) superou o das habitações existentes (8,6%).

Norte e Centro concentraram 48,7% do total de vendas

O INE indica ainda que no ano passado, o Norte (28,7%) e a região Centro (20,0%) concentraram 48,7% do número total de transacções, o peso relativo conjunto mais elevado desde 2014. O Alentejo (6,9%) e a Região Autónoma da Madeira (1,8%) foram as restantes regiões a registar um aumento nas respectivas quotas relativas regionais de 0,7 p.p. e 0,1 p.p., respectivamente.

Em contrapartida, a Área Metropolitana de Lisboa, pelo segundo ano consecutivo, registou uma redução (1,0 p.p., em 2020) no seu peso relativo regional, fixando-se em 33,5%. As transações de alojamentos localizados no Algarve representaram 7,6% do total, menos 0,7 p.p. face a 2019. A Região Autónoma dos Açores representou 1,5% do número total de transações. No último ano, a Área Metropolitana de Lisboa representou 45,4% do valor das transações realizadas em Portugal. Este foi o terceiro ano consecutivo em que esta região registou uma redução do seu peso relativo no valor total das vendas de habitações, de -1,2 p.p. (em 2017, o peso relativo foi 48,2%).

Das demais regiões, no Algarve observou-se igualmente uma diminuição do respetivo peso relativo, -0,7 p.p., perfazendo 10,2%. O Norte (24,3%) e o Centro (13,0%) representaram, em conjunto, 37,3%, do valor total das habitações transacionadas, menos 11,4 p.p. que o respetivo peso relativo no número de transações. As quotas relativas destas duas regiões aumentram 0,9 p.p. e 0,4 p.p., respetivamente. À semelhança de 2019, o Alentejo evidenciou um incremento de 0,5 p.p. da sua quota relativa no valor das transações, para um total de 4,2%. A Região Autónoma da Madeira, com um aumento de 0,2 p.p. no seu peso relativo, representou 1,8% do valor total das transações e a Região Autónoma dos Açores manteve a quota relativa de 1,1%, do ano anterior.

Em 2020, o Alentejo foi a única região a registar simultâneamente crescimento do número e do valor das transações de habitações, 5,0% e 15,2%, respectivamente, face a 2019. Na Região Autónoma da Madeira, no Centro, no Norte e na Região Autónoma dos Açores, pese embora as variações negativas do número de transações de -0,1%, -1,9%, -4,7% e -6,2%, respectivamente, apresentaram aumentos no valor das transações de 11,6%, 5,3%, 6,4% e 1,1%, pela mesma ordem. A Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve foram as regiões com maiores reduções, tanto em número como em valor das transacções de alojamentos. Na Área Metropolitana de Lisboa, as transacções diminuíram 8,1%, em número, e 0,2% em valor. O Algarve apresentou taxas de variação de -12,8% e -4,3%, respectivamente do número e do valor das transações.

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