Os preços da habitação mantiveram uma trajetória de valorização no primeiro trimestre de 2026, embora com sinais de desaceleração nos principais mercados urbanos. De acordo com as Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a evolução do mercado continua marcada por fortes diferenças territoriais, com os municípios turísticos e metropolitanos a registarem os valores mais elevados por metro quadrado, enquanto os territórios do interior permanecem mais acessíveis.
Os dados do INE mostram que Lisboa e Porto continuam entre os mercados mais caros do país, mas a dinâmica de crescimento dos preços perdeu intensidade face aos anos anteriores. Em contrapartida, vários municípios da periferia das áreas metropolitanas e algumas cidades de média dimensão continuam a apresentar ritmos de valorização mais expressivos, reflectindo a deslocação da procura para localizações onde ainda é possível encontrar habitação a preços relativamente mais competitivos.
A análise do instituto evidencia igualmente que as diferenças de preços entre territórios permanecem muito significativas. Os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, bem como do Algarve, continuam a concentrar os valores medianos de venda mais elevados, enquanto o interior do país mantém níveis bastante inferiores, confirmando a forte assimetria do mercado residencial português.
O relatório permite ainda analisar a evolução dos preços por tipologia de alojamento, categoria do imóvel (novo ou existente), perfil dos compradores e localização geográfica, disponibilizando indicadores trimestrais e anuais para municípios, freguesias e cidades com mais de 100 mil habitantes. Esta informação constitui uma ferramenta de acompanhamento da evolução do mercado imobiliário e da distribuição territorial dos preços da habitação.
Segundo o INE, os indicadores baseiam-se nos valores declarados para efeitos de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), permitindo acompanhar a evolução dos preços efectivamente praticados nas transações de habitação em Portugal.